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Eu e meu maridão |
Portanto, “a mulherada tá na área”! Eu, por exemplo, ainda terei coragem de voltar ao piloto. Sofri um acidente e nunca mais pilotei, mas sou casada com um fanático e me divirto muito nos “rolês”, mesmo que “garupando”. Por isso, fico antenada com esse universo.
Com o aumento das motociclistas, empresas também procuram se adaptar e inovar para atender à necessidade desse “target”, principalmente em acessórios e roupas especiais. Capacetes modelados e decorados, botas e luvas de couro, jaquetas com mais bolsos, roupas mais ajustáveis ao corpo, tudo isso para chamar a atenção das mulheres.
Mas para aquelas que pretendem iniciar esse “hobby”, ou, estilo de vida, como algumas defendem, entrevistei Flávia Macedo Codonho, proprietária de uma Harley Davidson “Fat Boy” e sócia – diretora da Henko Garage (http://www.henkogarage.com.br), para colher as dicas iniciais.
- Como você começou a pilotar uma moto?
Flávia: Sempre fui garupa, mas era louca para pilotar. Tomei coragem quando meu filho começou a perguntar ao pai: "você vai levar eu na garupa ou minha mãe?”. Com isso, coloquei o desejo em prática, assim podia levar meu filho comigo nos passeios e sairíamos em família.
- Há preconceito por mulheres motociclistas?
Flávia: Sim! Os homens acham que não somos capazes de pilotar igual a eles, ou até melhor, em alguns casos. Alguns jogam a moto em cima para intimidar, mas para o azar deles, não me intimido tão fácil (rs)
- Para aquelas que querem iniciar, quais as principais dicas?
Flávia: Ter a certeza de que “você é capaz”. É só ter calma, paciência e, principalmente, confiança. Nós, mulheres, somos mais tranquilas no trânsito, pensamos mais no próximo, assim facilitamos muito para a diminuição de acidentes, principalmente os de alta velocidade.
- Há um modelo ideal para as mulheres iniciarem?
Flávia: O Ideal é se sentir confortável na motocicleta. Sei que no inicio até as motos menores são complicadas, mas, aos poucos, cria-se confiança. É como andar de bicicleta, quando você tira a rodinha dá um pouco de medo, mas depois é automático.
- É importante a mulher ingressar em algum “moto clube”?
Flávia: Importante é conseguir tempo pra andar de moto (rsrs). Moto clube é um pouco complicado, existem vários, com regras, manias, compromissos. Eu, particularmente, não gosto desse tipo de obrigação. Gosto de andar quando estou com vontade, afinal já tenho a obrigação da casa, trabalho, filhos, marido...Não preciso de mais obrigações. (rsrs). A moto, no meu caso, serve para diversão, curtir a natureza, curtir os amigos, os lugares, sem hora marcada. Gosto de relaxar, aproveito pra colocar a cabeça em dia, o vento no rosto parece que tira tudo de ruim que você acumula no dia-a-dia corrido e cansativo.
- Quais as roupas mais indicadas para a iniciante?
Flávia: Iniciante ou não, é importante usar bota, capacete, jaqueta (de couro e com proteções), luvas, tudo isso para segurança. Por mais que a pessoa não queira cair, ela precisa estar “preparada” para qualquer tombo. Mesmo sem cair, podemos ser atingidos por pedras na estrada (que doem muuuuito), ou até mesmo a chuva, que em velocidade, os pingos parecem pedras (rsrsrs). As botas são importantes para evitarem torções até mesmo quando paramos a moto. Coisas simples, mas que muitas vezes nos tiram de apuros.
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| Ladies of the Road Flávia é a segunda (da esquerda para direita) na fileira de cima |
- Há cursos para mulheres?
Flávia: Existem, tanto para homens quanto para mulheres. São os cursos de pilotagem defensivas, ou pilotagem preventiva, que ajudam, desde como parar a moto, até como entrar numa curva em alta velocidade. São treinadores preparados que ajudam com o desempenho na moto, como, por exemplo, andar em baixa velocidade, que para aqueles que pilotam uma moto “custom” é muito importante.
- Há diferença na pilotagem de uma “speed” e uma “custom”?
Flávia: Sim, é bem diferente. A “Speed” é muito leve, alta velocidade, resposta rápida tanto na aceleração, quanto na frenagem. É uma moto “arisca”, que se andar devagar, vai cair. A “custom” é muito pesada, moto para andar olhando a paisagem, curtir a estrada, curtir a garupa, sem pressa, aproveitando a viagem. Quem pilota uma, com certeza, pilota a outra também, mas com toda a convicção que vai preferir apenas um modelo.


